Azealia Banks e o racismo.

O primeiro dia de 2017 já foi marcado pela pauta do racismo. A polêmica envolve a cantora Azealia Banks, que utilizou sua página do Facebook para proferir ofensas de cunho racista aos brasileiros. Suas postagens ofendiam não só o povo brasileiro, mas também a língua portuguesa. Azealia utilizou de discriminações como “anormais do terceiro mundo” e ainda postou que "não sabia que tinha internet na favela". A rapper se defendeu afirmando que havia recebido diversos xingamentos também racistas por parte dos brasileiros em suas redes sociais. Em que pese a veracidade – e gravidade – dessas atitudes, a vítima do racismo não deveria devolver na mesma moeda. Azealia foi discriminada por anos pela indústria da música por causa da cor de sua pele e sua etnia, e certamente não tem que acatar os xingamentos racistas de desconhecidos.

Contudo, apesar das ofensas absurdas experimentadas pela cantora, não há dúvidas de que os insultos proferidos por ela contêm cunho criminoso. A Lei 7.716/89, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, popularmente conhecida como a Lei do Racismo, é bastante abrangente em seu art. 1º, pois percebe infrações penais que digam respeito ao preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Os atos da cantora refletem, de maneira cristalina, um desprezo generalizado diretamente ligado à procedência nacional de suas vítimas. É o povo brasileiro, pobre, favelado, que não sabe falar inglês corretamente que é alvo de desprezo pela rapper americana. Não se deve pensar, neste caso, em injúria racial, posto que os atos da cantora foram voltados a um grupo, a uma coletividade, que é o povo brasileiro em si. É a integralidade dos brasileiros – vista da forma extremamente preconceituosa pela rapper – que merece ser desprezada e discriminada.

Sobre Nathalya Jardim

Advogada. Pós-graduanda em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes (UCAM). Graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Advogada. Pós-graduanda em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes (UCAM). Graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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